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Adotados: Ford Del Rey

6 maio

Muito legal a contribuição de Medina Tarcisa, que adotou um Ford Del Rey órfão há cerca de 20 anos em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Consta que o veículo foi batido de frente com apenas 10 mil km rodados, e enquanto o conserto era realizado o proprietário faleceu de complicações do acidente, não detectadas inicialmente… por conta disso a oficina não terminou o serviço, deixou o carro de lado, ninguém foi buscar, os anos se separam, a oficina fechou, o pobre Del Rey continuou órfão por lá… até agora! Identificada a família, negociação aceita, ele agora será recuperado. Bacana demais!

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De quando a GM brasileira teve seu próprio hotel

15 jul

Boa leva de executivos do setor automotivo brasileiro apóia-se na já larga vivência das quatro grandes montadoras no País para questionar, não sem certa dose de razão, planos aparentemente megalômanos das novas fabricantes que estão prestes a se instalar por aqui.

A Hyundai, por exemplo, vive hoje, neste 2011, dentre outras, curiosa dificuldade que a General Motors já experimentou por estas bandas, porém há mais de cinquenta anos, nos idos de 1957.

Isso porque a montadora de origem sul-coreana está encontrando dificuldades para hospedar adequadamente os executivos da matriz e convidados que vão conhecer as obras da fábrica de Piracicaba: o máximo que a cidade oferece em termos de hotelaria moderna, por assim dizer, é uma pequena unidade do Ibis, rede global de hotéis econômicos. No evento de pedra fundamental realizado no local em fevereiro o problema chegou quase ao extremo: onde hospedar o vice-chairman, que vinha da Coréia do Sul? O jeito foi deixá-lo em São Paulo mesmo e levá-lo de helicóptero.

Caso semelhante viveu a GM naqueles anos 50, ainda que de forma bem mais acentuada devido ao contexto da época: simplesmente não havia rede hoteleira em São José dos Campos para receber executivos durante a construção e os primeiros anos da fábrica. A solução que a montadora deu à questão foi a mais direta possível: construiu seu próprio hotel, junto à planta – o Hotel GM.

Recepção, trinta quartos, restaurante, bar, salas de reunião, biblioteca, serviços de lavanderia e camareiras, enfim, como qualquer outro hotel – a diferença é que sua localização era dentro da própria fábrica.

Com o passar dos anos e o próprio desenvolvimento da cidade no entorno o uso do Hotel GM começou a mostrar-se desnecessário dentro de seu objetivo original. E em meados dos anos 90 nenhum hóspede mais ali se instalava – até que Sérgio Dal Poggetto entra na história.

Isso porque o executivo, na GM desde 1958, foi transferido da planta de São Caetano do Sul para a de São José dos Campos, na função de diretor da fábrica, por volta de 1995. A família, entretanto, preferia permanecer na cidade do ABC. Dal Poggetto, então, passava a maior parte da semana no Vale do Paraíba e o fim de semana em São Caetano. Morar aonde, na estadia semanal no Interior? A resposta veio rápida e quase óbvia, auxiliada ainda mais pelos três turnos de produção de então: no Hotel GM, oras.

Assim, ele passou a ser o único habitante do local. Trinta quartos à disposição – situação curiosa que perdurou por nada menos do que onze anos. É quase impossível não associar o caso ao filme O Iluminado, clássico cult de suspense-terror dos anos 80, do diretor Stanley Kubrick, baseado em livro de Stephen King: a história de um vigia de um grande hotel nas montanhas do Colorado, Estados Unidos, inacessível durante o inverno devido à neve. O isolamento total do personagem Jack Torrance, vivido por Jack Nicholson, acaba por levá-lo à loucura.

Mas ele garante: “minha história no Hotel GM não chegou nem perto disso”. Mas recorda: havia, sim, o boato de que o fantasma de um ex-funcionário perambulava pelos corredores do hotel à noite, fazendo com que as camareiras evitassem qualquer circulação no local depois do pôr-do-sol. Mas, belo dia, reunião foi até tarde da noite: quando todos foram embora o executivo retornou à sala para apagar as luzes, fazendo com que uma funcionária que limpava o local quase desmaiasse de susto – ela pensou que quem adentrava a sala era o fantasma. Dal Poggetto diverte-se: “Ou eu assustava o fantasma ou ele não existia mesmo, pois nunca o vi em todos esses anos por lá”.

Eram outros tempos, sem dúvida: o executivo recorda-se que internet pouco se havia ouvido falar e montar uma vídeo-conferência dava tanto trabalho, com tantos equipamentos, que era mais fácil os participantes deslocarem-se fisicamente até São José dos Campos.

Hoje Dal Pogetto está aposentado e o Hotel GM não funciona mais, apesar de fisicamente estar lá, em pé, firme e forte: o local é utilizado atualmente para arquivo, treinamento, eventos e outros fins.

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